Aliança entre a sociedade portuguesa MC&A e a brasileira SVMFA vai operar nos países lusófonos, incluindo Angola. Nasce um ‘player’ internacional com 75 advogados em Portugal e no Brasil.

A nova aliança da advocacia internacional entre o escritório português MC&A e o brasileiro SVMFA vai prestar serviços jurídicos nos países de expressão portuguesa, disse Vítor Marques da Cruz, sócio fundador da MC&A.

Num contexto em que têm sido várias as sociedades de advogados a fundir-se, mais dois escritórios formalizaram uma parceria internacional, resultante de anos de trabalho em conjunto. A Marques Cruz & Associados (MC&A) e a brasileira Schmidt, Valois, Miranda, Ferreira & Agel (SVMFA) uniram-se para criar a marca MC Valois Miranda, focada no mercado dos países de expressão portuguesa e fruto da união de competências locais nestes mercados.

Questionado sobre a possibilidade de a saída de José Eduardo dos Santos da presidência de Angola criar um novo ciclo político e económico no país, o sócio fundador da MC&A diz que o país é “suficientemente maduro para não oscilar” com as mudanças no Governo. Marques da Cruz acredita que “há um nível de interesse internacional e de maturidade do Estado angolano suficientes não haver uma crise excecional além daquela que, neste momento, o país atravessa, que se deve à descida drástica do preço do barril de petróleo”.

Em África, a MC&A tem escritórios em Angola e Moçambique e presença em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné Bissau. A gestão direta dos três últimos escritórios associados faz parte das metas para o próximo ano, bem como aumentar a equipa no continente, na medida em que a percentagem de faturação que afeta operações assessoradas pela firma em África é de cerca de 85%.

“Tanto quanto tenho conhecimento não há nenhum escritório português que tenha presença efetiva nestes países, exceto através de parcerias locais”, afirma Vítor Marques da Cruz, esclarecendo que esta junção não é uma mera política expansionista. “O objetivo é desenvolver sobretudo os mercados que nós consideramos mercados mais difíceis dadas as particularidades de cada um deles”, acrescentou o advogado português.

Brasil e África: as maiores apostas
Os dois escritórios procuraram juntar o ‘know-how’ mais especializado de cada um, nomeadamente, as áreas de ‘banking’, ‘corporate’ e M&A da sociedade sediada em Lisboa, e as de ‘oil & gas’ e ‘mining’, da que está no Rio de Janeiro. “
“É uma aliança inovadora, porque normalmente as alianças não abrangem de forma tão clara escritórios em Portugal, no Brasil e em África”, refere Paulo Valois Pires, sócio fundador da SVMFA.

No próximo ano, as sociedades vão dar início ao processo de consolidação da nova estrutura e desenvolver as estratégias de marketing integrado. A este nível, Vítor Marques da Cruz adianta que, de certa forma, já deram início à parceria, tendo em conta que o sócio fundador da MC&A e Paulo Valois Pires têm realizado viagens onde abordam clientes e escritórios de advocacia internacionais, com quem a aliança foi discutida e pelos quais garantem ter sido “muito bem aceite”.
Em 2017, advogados portugueses, angolanos e moçambicanos vão estar alguns períodos no Brasil e vice-versa, para que a MC Valois Miranda “seja, cada vez mais, conhecida e sinónimo de qualidade”.

Paulo Valois Miranda considera que o interesse das empresas portuguesas no Brasil se mantém, principalmente, nas áreas de construção pesada e engenharia. “Querem ocupar um espaço no mercado brasileiro, em função da crise económica e dos problemas que algumas construtoras aqui no Brasil passaram ou estão a passar”, justificou. A espectativa do escritório brasileiro é a de que haja um aumento na procura de projetos relacionados com petróleo e gás natural.
Na sequência do fracasso de alguns investimentos portugueses no Brasil, como o da fusão da PT com a Oi, o advogado brasileiro explica que a discussão tem sido feita, nomeadamente, no âmbito da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, da qual é diretor.


O Jornal Económico, 23-12-2016

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